La Selva: técnica e trabalho na história
de uma editora popular
por Luciano Silva
Os primeiros anos da década de cinqüenta
foram prolíficos no surgimento e no desenvolvimento de pequenas
companhias gráficas e editoras especializadas em publicações populares,
principalmente nos subúrbios paulistanos. Alguns destes editores
passaram do regime de subsistência à categoria de companhias de grande
porte nas décadas posteriores, outros deixariam de existir em breve por
motivos e dificuldades diversas.
Neste contexto, o caso da editora paulistana La Selva
sintetiza os principais aspectos que contribuíram para a proliferação,
para o desenvolvimento e até mesmo para a extinção destas pequenas
companhias. Em cerca de vinte anos de existência a trajetória da La
Selva exemplifica o início do caminho de convergência entre as mídias,
que seria tomado pelos grandes editores brasileiros, assim como situa no
tempo os primeiros momentos do estabelecimento das indústrias culturais
no Brasil.
Este texto de caráter introdutório
pretende, além de fazer uma apresentação da editora, buscar um pouco das
relações sócio-técnicas que contribuíram para a produção e para a
popularização das revistas em quadrinhos no Brasil, em seus aspectos de
ideologia, de tecnologia, de organização e práticas de trabalho.
Americanização da cultura
O início da primeira década do pós-guerra
demarca um novo período de modernização num Brasil recém democratizado
com a eleição de Getúlio Vargas em 1950. Acabada a segunda-guerra, o
país fornecedor de matéria-prima para os aliados, agora se via diante
da necessidade acelerada de desenvolvimento industrial, em nome do qual o
populismo do governo Vargas prometia retirar o Brasil da condição de
subdesenvolvimento. Implementava-se um projeto de modernização da
indústria, com base no crescimento de grandes empresas estatais –
Eletrobrás, Petrobrás e BNDE -, enquanto por outro lado, se
intensificava o investimento nos meios de comunicação em massa.
Rio de Janeiro e São Paulo que passavam
por um considerável processo de urbanização, tiveram uma significativa
aceleração no nível de desenvolvimento, firmando-se como grandes centros
de disseminação cultural, concentração demográfica e produção
industrial no país. No clima de otimismo diante do crescimento
econômico, a vida social dos grandes centros urbanos, passava por
reformulações profundas nos aspectos de comportamento e na relação com
os hábitos de consumo. O aumento nas taxas de emprego e o melhor poder
aquisitivo das classes populares levariam a economia a uma expansão
ascendente e como conseqüência, produziria uma enorme mobilização de
esforços e iniciativas nos campos da produção, da distribuição e da
comercialização dos novos bens industrializados. A integração destas
classes emergentes como consumidoras, representava na década de 50, uma
chegada não apenas providencial, como definitiva, dos moldes de produção
massificada característicos da indústria americana. Isto complementava
mais um ciclo de adoção do American way of life, articulado uma década antes, pelo programa do governo Roosevelt, em relação aos países latino-americanos.
A combinação entre ideologia, organização de trabalho e costumes sociais importados do American way of life,
mesclada ao cotidiano cultural pré-existente, caracterizava o perfil da
produção e dos meios culturais brasileiros a partir do início dos 50,
consolidando uma nova audiência popular e fazendo também surgir no país,
um novo tipo de indústria[1].
Este é o período onde se introduzem solidamente os princípios da
indústria cultural no Brasil, cujo conceito sintetiza os aspectos mais
amplos da produção de bens culturais e sua circulação como mercadorias,
com a padronização de bens, de esquemas, de processos e de mecanismos de
difusão em favor de uma demanda massificada[2].
Configura-se então, uma emergente cultura de massa onde a serialização,
a padronização e a divisão de trabalho são as marcas típicas dos
modelos orientados pela racionalidade técnica. É necessário compreender
que o conceito de indústria cultural é central para os aspectos de
desenvolvimento no panorama brasileiro e mundial neste período
histórico, entretanto, tendo a precaução de não interpretar o contexto
de disseminação do American way of life como um processo
homogêneo de coerção cultural, imposto unicamente pelas iniciativas
estratégicas do governo Roosevelt, a partir dos anos quarenta[3].
A adesão ao processo de “americanização”
representava na época, um modo sedutor de ingresso das sociedades na
modernidade, cristalizando-se com o término da providencial ambigüidade
do regime de Vargas na adesão brasileira a base Aliada na segunda guerra
mundial. Assim, a tradição cultural européia no Brasil perdia terreno
para os valores da democracia, do progressivismo e do consumismo
contidos no American way of life, que se consolidaria na
seqüência como o “modelo a ser seguido”, fixando-se na estrutura
hegemônica e nas representações culturais da sociedade brasileira[4].
Mercado editorial e estrutura gráfica em 1950
Se o Rio de Janeiro ocupara a posição de
centro cultural brasileiro a partir da virada do século, a década de 40
já confirmava São Paulo como a grande potência industrial do país. Ao
final desta década, a abastada burguesia paulista passava a converter os
lucros industriais em status cultural, rivalizando com a supremacia
político-cultural do Rio de Janeiro[5].
No campo da imprensa e da indústria gráfica, este foi um período de
modernização não apenas na introdução de novas tecnologias, maquinários e
auto-suficiência de insumos, como também de transformações nas relações
de formação profissional, de distribuição, comercialização e consumo. O
crescimento do investimento na indústria gráfica de São Paulo desde os
meados dos anos 40 faria com que o estado suplantasse décadas de domínio
carioca a frente do editorial gráfico, e da produção de impressos no
Brasil. Grandes companhias gráficas paulistas como a Tilibra e a
Lythográfica Ypiranga atuavam no mercado de impressos gerais, enquanto
proliferavam as pequenas gráficas e editoras na periferia paulistana.
As políticas de industrialização do governo Juscelino Kubischek
promoveram a quebra de uma barreira de anos de restrições na importação,
permitindo a entrada de novas tecnologias, a renovação do maquinário, a
expansão na área de atuação das empresas e a abertura de mercados. As
metas modernizadoras do governo Kubischek, refletiram profundamente no
setor da indústria gráfica, num efeito de expansão sem precedentes na
história deste setor.
As técnicas de impressão em off-set
se fixaram como a base da tecnologia gráfica na indústria e
introduziram-se ainda, novidades como os materiais autocolantes para
rótulos e variações nas embalagens, acrescendo maior qualidade aos
impressos ao atender a emergência de uma diversidade de companhias
envolvidas com serviços gráficos tais como editoras, indústrias de
embalagens e agências de publicidade. Diante dessa expansão na produção
de impressos, muitas destas companhias passaram a investir intensamente
no mercado interno de revistas, boletins, jornais e folhetos
institucionais. A expansão industrial requeria também o investimento na
produção nacional de insumos. Entre 1945 e 1955, boa parte dos
comerciantes de insumos para a indústria gráfica, havia migrado para a
condição de fabricantes, fornecendo matéria-prima mais barata e fácil de
ser adquirida. Materiais de qualidade como papéis do tipo
apergaminhado, cuchê, caseína e off-set começavam a ser
fabricados no Brasil, além das tintas e dos produtos auxiliares para a
impressão. Entretanto, tamanha era a demanda de papel no mercado, que ao
inicio dos anos 50, o papel precisaria ser racionado nos setores
consumidores de grandes quantias, tais como os jornais. A fim de evitar
novas crises no abastecimento de papel e conseqüente escassez do
produto, companhias como a Klabin e a Suzano começaram a investir em
pesquisas de novas tecnologias de fabricação de papel de celulose de
eucalipto em escala industrial, o que viria a resultar na
auto-suficiência na produção de papel durante a década seguinte.
A escassez de mão de obra qualificada fez
com que a indústria incentivasse cursos profissionalizantes na área
gráfica. Desde a década de 20, muitas companhias contratavam mestres,
geralmente imigrantes europeus com formação e experiência como artistas e
impressores, para que desenvolvessem dentro do próprio quadro da
empresa, setores responsáveis pelo ensino das habilidades de criação
artística aliada aos conhecimentos técnicos de impressão. Era necessário
pensar e gerir as atividades gráficas de modo a se constituir
profissionais que as compreendessem como um todo, instalando, mesmo que
de modo ainda incipiente a atividade do design gráfico e a figura
profissional do designer na indústria gráfica[6].
Outro aspecto importante, como a distribuição, também se modificou
muito desde as três primeiras décadas do século XX. Até a década de 30, a
distribuição de periódicos era praticamente desempenhada por agentes
pagos pelo próprio editor do material impresso. Os agentes eram os
responsáveis pela distribuição das revistas diretamente nos pontos de
venda que, em geral, eram pontos comuns de comércio, freqüentados pelas
camadas mais abastadas da sociedade urbana, tais como hotéis, barbearias
e tabacarias, enquanto o material de menor peso, como os jornais,
ficava nas mãos dos jornaleiros, para a venda nas ruas. Os agentes
também eram responsáveis pela venda direta de assinaturas ao leitor,
tornando a prática do reembolso postal um elemento importante de
popularização para os títulos de cada editor. O domínio desta prática,
associado ao desejo de independência do agente em relação ao editor e
começaram a surgir as primeiras empresas distribuidoras de revistas e
jornais. Com o aumento exponencial da quantidade de títulos de jornais e
revistas em circulação, também implicava na inserção de um maior número
de meninos jornaleiros nas ruas. Estes se localizavam entre os
cruzamentos de ruas centrais e nos pontos de maior fluxo de pessoas,
enquanto aos poucos eram introduzidos os pontos de venda fixos, nos
quiosques ou nas bancas ao ar livre. A combinação entre a mobilidade do
jornaleiro e o ponto fixo de venda, foi durante muito tempo, a
estratégia mais eficiente para a distribuição intensiva e uniforme das
vendas de jornais e revistas.
Por meados dos anos 40, a melhoria da
infra-estrutura de metrópoles como São Paulo, já permitia que as bancas
ao ar livre fossem gradativamente dando espaço a bancas cobertas e com
luz elétrica. A identificação popular da banca como ponto de venda não
fez desaparecer a atividade do jornaleiro da paisagem urbana, entretanto
transformou radicalmente as práticas de comercialização de periódicos.
Isto significava que as práticas de comercialização não se modificavam
apenas pelas melhorias estruturais ou pelo simples aumento da produção e
da distribuição: modificavam-se também pela nova postura do público em
consumir, não precisando ser necessariamente abordado pelo agente de
assinaturas ou pelo jornaleiro, vindo à banca periodicamente a procura
de seu título favorito, folheando lançamentos e escolhendo entre a
variedade de publicações. A oferta de publicações diversificava-se à
medida que as novas características de mercado permitiam uma grande
mobilidade entre setores, sendo que pequenos agentes se tornavam grandes
distribuidores e muitos dos distribuidores investiam agora em suas
próprias publicações, tornando-se também editores. Nesse ritmo
multiplicaram-se as pequenas editoras nas periferias de grandes centros
urbanos como São Paulo. Especificamente os bairros operários do Braz e
da Mooca, se consolidariam como pólos de proliferação destas pequenas
editoras e gráficas que movimentaram o mercado das publicações populares
durante as décadas de 50 e 60.
A estruturação editorial da La Selva
Em 1935, o imigrante italiano Vito La
Selva montou sua pequena distribuidora no bairro do Braz. Não era um
empreendimento vultuoso, mas sim uma maneira de sobrevivência e de
melhoria nas condições de vida, exemplo típico de uma tendência que se
propagou entre os pequenos empresários ligados ao comércio de revistas
na periferia paulistana. As aspirações que motivaram pequenos
empresários como Vito La Selva a tocar em frente seus empreendimentos
desde a migração de distribuidor para a condição de editor, são em muito
semelhantes às que institucionalizaram os nomes de Adolfo Aizen,
Roberto Marinho ou Victor Civitta, como grandes editores brasileiros: o
sonho do grande porte, da formação do império gráfico, do domínio e da
convergência de mídias, da indústria cultural. Mesmo que encarando uma
dura realidade de subsistência, o universo destes pequenos editores
tinha como base o sonho do crescimento fundamentado no progressivismo,
na perspectiva liberal de mercado, na exploração do intenso consumo.
Ao passar de distribuidora a editora em
1948, a La Selva já havia se estabelecido de maneira consistente, de
forma a compreender bem o mercado e a circulação de publicações
populares. Através de alguns anos de distribuição de revistas em
quadrinhos, tablóides humorísticos e fotonovelas, La Selva ainda
associado à Pelegrinni, agremiou o contato com pequenos distribuidores,
podendo observar a lógica de circulação e comercialização das
publicações produzidas por terceiros – editores cariocas e até mesmo
editores argentinos. Deste modo compreendeu que se detivesse também o
processo de produção de alguns destes periódicos, teria facilidades e
menor custo para distribuição, aliando atividades de dois setores que se
complementavam. Agora, independente e editor de suas próprias revistas,
Vito La Selva investia num grande número de publicações, intensificando
entre elas as popularíssimas revistas em quadrinhos[7] .
Os aspectos de produção e distribuição
das revistas da La Selva são curiosos, pelo fato de envolverem conceitos
e práticas inovadoras na época, como terceirização e colaboração,
mescladas a uma administração familiar basicamente centralizada em Vito
La Selva e nos filhos Paschoal, Jácomo, Antônio e Estevão. O regime de
administração “familiar” da La Selva não perdeu força nem mesmo com o
crescimento da empresa durante o decorrer da década de 50, uma vez que
durante anos, a estrutura física da editora se localizava no próprio
local de residência da família La Selva, e práticas de socialização
familiar como jantares e festas eram freqüentemente compartilhadas com
funcionários e colaboradores. Entretanto, em paralelo ao clima de
cordialidade familiar, havia uma estrutura empresarial bem demarcada
pela divisão de trabalho, pela organização de métodos e práticas, e pela
centralização e racionalização nas escolhas administrativas. Um pequeno
quadro fixo de funcionários, geralmente dispostos em cargos gerenciais,
coordenava um grupo maior de colaboradores, agenciados exclusivamente
para a execução de trabalhos como redação, tradução, diagramação,
desenho, arte-finalização ou ilustração para os títulos específicos das
revistas. O grau de vendagem e popularidade do título determinava com
que freqüência o colaborador atuaria e a sua importância frente às
atividades de trabalho da editora. Muitos dos colaboradores que
trabalhavam com a La Selva, prestavam serviços a também a outras
editoras da região, sendo que, algumas vezes os mais experientes e
talentosos eram integrados ao quadro funcional das editoras de maior
porte, preocupadas em garantir a exclusividade de seu trabalho. Entre os
muitos funcionários e colaboradores que passaram pela La Selva, cabe
destacar a importância do trabalho de ilustradores, capistas e
desenhistas como Jayme Cortes, Messias de Mello, Jerônimo Monteiro, José
Lanzellotti, José Rivelli Neto; redatores e roteiristas como Reinaldo
de Oliveira, Syllas Roberg e Cláudio de Souza; José Fioroni Rodrigues e
Lindbergh Faria como tradutores e revisores de textos; Miguel Falcone
Penteado como gráfico e ilustrador.
Ao migrar do ramo da distribuição para o
ramo editorial, a La Selva não possuía uma estrutura de oficina gráfica
para a impressão de suas publicações. A terceirização de serviços
gráficos, por prestação de serviços das pequenas gráficas da região, foi
a alternativa utilizada para suprir a demanda de execução dos
impressos. Durante muito tempo, o sistema de terceirização da impressão
permitiu a La Selva uma maior versatilidade de escolha quanto às
possibilidades de técnicas e de custos envolvidos numa mesma publicação,
refletindo na qualidade e na acessibilidade do preço de venda de seus
produtos. Entretanto, a constante dependência deste processo, que por um
lado permitiu dar consistência e crescimento a empresa por cerca de uma
década, também se tornara aos poucos, um agravante em relação aos
diversos problemas que a La Selva enfrentaria diante da chegada dos anos
60.
Nos primeiros meses de 1958, a gráfica
SAIB de Victor Civitta – principal prestadora de serviços de impressão à
La Selva -, cancelou repentinamente todos os seus contratos de
impressão de revistas a terceiros, dedicando-se exclusivamente à
produção das revistas de sua associada direta, a editora Abril. Com uma
produção de 28 títulos mensais e uma tiragem que atingia cerca de um
milhão de exemplares, a La Selva corria o risco de ter sua produção
quase que completamente paralisada, uma vez que outra tradicional
prestadora de serviços de menor porte como a Gráfica Novo Mundo, tinha
sua produção própria de revistas e não poderia assumir tal volume de
impressões. Numa estratégia rápida e dispendiosa, os La Selva negociaram
a compra da gráfica com seus sócios-proprietários Victor Chiodi e
Miguel Penteado, mantendo viva a marca da Novo Mundo no mercado e
incorporando parte de suas revistas, porém cancelando e reformulando a
periodicidade dos títulos, além de reequipar a oficina, afim de suprir a
demanda de serviços sob a marca da La Selva. Com o novo investimento na
área de impressão gráfica, através da aquisição da Novo Mundo, ocorria
uma nova configuração administrativa, com Vito La Selva praticamente se
retirando dos negócios, Jácomo e Estevão conduzindo a parte gráfica na
Novo Mundo, Paschoal e Antonio responsáveis pela editora La Selva,
enquanto na parte funcional optava-se por conservar a experiência de
Miguel Penteado á frente da oficina gráfica, sendo que Jayme Cortez
ainda continuava a dirigir o setor de arte. Se por um lado a nova
conjuntura administrativa da La Selva prometia uma forte revitalização
dos negócios, por outro, a velha prática de importação do material
publicado descontentava profundamente o corpo de artistas colaboradores
da empresa. A insistência nas práticas de importação de material, aliada
a uma série de outros pequenos desacertos, fez com que Jayme Cortez e
Miguel Penteado saíssem da La Selva e investissem na sua própria
empresa, criando a editora Continental em 1959, que mais tarde mudaria
sua razão social para Editora Outubro.
Para a La Selva, o conturbado início dos
anos 60 desenhava um quadro de dissensos e antecipava futuros revezes,
que resultariam na sua falência em 1968. É difícil atribuir o fim das
atividades da editora La Selva a um único fator específico, mas
principalmente a causas ligadas aos litígios familiares e ao aumento dos
dissensos com a compra da Gráfica Novo Mundo; aos pesados investimentos
em grandes estoques para reembolso postal perdidos com as constantes
enchentes na região; à divisão de grandes fatias do mercado com as novas
editoras concorrentes; a fragmentação e a conseqüente ingerência
administrativa após a morte de Vito La Selva em 1968. Entretanto é
importante lembrar, que até um ano antes de sua dissolução, a La Selva
ainda colocava no mercado cerca de 40 mil exemplares de cada um dos seus
principais títulos de revistas, demonstrando que à parte os problemas
administrativos, confirmava-se a existência de um público consumidor
estável, em plena atividade.
Considerações finais
O resgate sócio-histórico do legado das
pequenas editoras populares que surgiram na grande São Paulo nos anos
50, é profundamente importante para que não se limitem as reflexões
sobre os quadrinhos no Brasil, unicamente a ótica historicista ou
biográfica. Ao observar o legado deixado por editoras já extintas como a
La Selva, observamos também os caminhos de interação entre técnica,
trabalho e costumes cotidianos que em comum, originaram grandes
expoentes editoriais como EBAL, Rio Gráfica, Bloch e Abril. Através da
reflexão sobre pretensões administrativas, práticas dos trabalhadores e
métodos produtivos, procuramos o resgate de uma parcela da memória de um
período histórico, onde se radicaram os princípios da massificação
pesada e das indústrias culturais no editorial brasileiro.
Referências bibliográficas
ADORNO, Theodor W. Indústria cultural e sociedade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002. APPADURAI, Arjun. The social life of things: commodities in cultural perspective. 8ªed. Cambridge: Cambridge University Press, 2010. CAMARGO, Mario de. Gráfica: arte e indústria no Brasil – 180 anos de história. 2ªed. São Paulo: EDUSP/Bandeirantes, 2003. GONÇALO JR. A guerra dos gibis: a formação do mercado editorial brasileiro e a censura aos quadrinhos, 1933-64. São Paulo: Companhia das letras, 2004. NAPOLITANO, Marcos. Cultura brasileira: utopia e massificação (1950-1980). 3ªed. São Paulo: Contexto, 2008. MARTÍN-BARBERO, Jesus. Dos meios as mediações. Rio de Janeiro: UFRJ, 2009. MARTINS, Ana L. Revistas em revista: imprensa e práticas culturais nos tempos da República, São Paulo (1890-1922). São Paulo: EDUSP, 2008. OLIVEIRA, Reinaldo de. La Selva: pequena história de uma editora popular. São Paulo: Sublime, 1987. TOTA, Antonio P. O imperialismo sedutor: a americanização do Brasil na época da segunda guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
[1] Segundo Marcos Napolitano (2008) “[...] o carnaval, o rádio e o cinema, a partir da segunda metade dos anos 1940, eram os meios culturais pelos quais se consolidava uma nova audiência popular, ao mesmo tempo em que, em torno do rádio e do cinema, surgiam as primeiras formas de indústria cultural no Brasil, representando conteúdos culturais vivenciados pelas classes populares, em meio a um processo de urbanização crescente”. Em: NAPOLITANO, Marcos. Cultura brasileira: utopia e massificação (1950-1980). São Paulo: Contexto, 2008, pp. 14-15.
[7] Entre alguns destes títulos em circulação vemos: Seleções de Modinhas, Cômico Colegial, O Crime Não Compensa, Seleções Enigmáticas, Seleções de Rir Ilustrada, Gilda Seleções Românticas, Arrelia e Pimentinha, Oscarito e Grande Otelo. Informações em: OLIVEIRA, Reinaldo de. La Selva: pequena história de uma editora popular. São Paulo: Sublime, 1987.
este é um teste este é um teste este é um teste este é um teste este é um teste este é um teste este é um teste
ResponderExcluireste é um teste este é um teste este é um teste este é um teste este é um teste este é um teste este é um teste
ResponderExcluir